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Leitura de obras contemporâneas e conceito individual de “boa arquitetura”

Por MATEUS TROIAN DANIELI

Entendo como boa arquitetura, aquela em que o criador consegue transmitir um sentimento e um significado para a sua obra/projeto. Além disso, a boa arquitetura, vem acompanhada de bons feitos quanto as condicionantes do lugar e o conceito no qual está inserido. Não deve apelar, através de beleza ludibriante, falso discurso e conceito. Precisa transmitir a simplicidade da beleza, funcionalidade, conforto e segurança, para se fazer boa arquitetura. E mais do que isso, precisa ser um lugar onde se possa respirar.

OBRA: Teatro Municipal de Natal-RN

Vencedora do Concurso do novo teatro municipal.

Projeto: Arq, Mario Biselli & Arquitetos associados.

observações: contém 5 salas de teatro.

ANÁLISE:

De maneira convincente a obra se impõe no terreno. A forma implantada se conforma ao terreno, criando espaços de convívio e contemplação, onde, sem grandes dificuldades, possa se fazer a leitura, da mesma, sem grandes dificuldades.

Fonte: Mário Biselli

O fechamento, em metal trabalhado com furos, permite a passagem de ar e luz, para dentro dos saguões, que ajudam a reduzir os impactos do sol forte e do clima úmido na região, que possuí a média de 28ºC durante o ano todo. Além disso, consegue transmitir leveza, em uma forma que traz consigo um peso, extraído de suas linhas retas. A noite, consegue o seu destaque maior, graças aos efeitos cênicos da luz do seu interior que saí pelas aberturas de metal. Remetendo com isso, o seu uso final.

Vista externa a noite.

vista interna dos saguões

corte

Arquiteto: Álvaro Siza

Obra: Fundação Iberê Camargo – Porto Alegre – RS

Por: Luiz Paulo E. Gallon

O edifício-sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, é um marco para a arquitetura brasileira. Ainda em projeto, ganhou em 2002 o Leão de Ouro, prêmio máximo da Bienal de Arquitetura de Veneza, e foi pauta de inúmeras publicações especializadas antes mesmo de ficar pronto. Lançando mão de inovações técnicas, como o uso do concreto branco, ele soma a impecável execução ao uso nobre: abriga uma coleção de obras-primas do artista plástico Iberê Camargo. Se isso não bastasse, é a obra-prima de um dos mais aclamados arquitetos de nosso tempo. (Arcoweb).

fonte: arcoweb

fonte: arcoweb

Como a porção plana do terreno era pequena, Siza verticalizou o edifício e deixou a mata intacta. Na parte mais profunda disponível criou o volume principal, com térreo e mais três pisos destinados às salas expositivas, em configuração clássica (muitas paredes, sem aberturas, luzes apropriadas etc). Cada andar tem três salas seqüenciais. Elas formam um L, em cujas extremidades foram implantadas as circulações verticais (escadas e elevadores) e que teve o quadrante restante destinado a um vazio que dá caráter monumental ao diminuto espaço. (Arcoweb).

fonte: arcoweb

A chave do projeto foi o percurso em rampa entre os pisos, que deixa contínuo o espaço para visitação. Se ela somente contornasse o vazio, não seria suficiente para vencer o pé-direito entre os pavimentos. Assim, através de um engenhoso e original desenho em ziguezague, Siza criou dois lances de rampa: um dos trechos é externo, irregular e em túnel; o outro acompanha a sinuosidade do vazio do átrio. (Arcoweb).

Todas as áreas de apoio (acervo, auditório, biblioteca, equipe etc.) foram acomodadas no subsolo. Para amenizar a escavação (o lençol freático é alto) e criar uma relação confortável com a via expressa, Siza elevou o térreo em 1,4 metros. O acesso de serviço – também local de carga e descarga de obras de arte – é realizado por trás, numa doca estrategicamente localizada a fim de ligar todos os pisos com um elevador apropriado a grandes formatos. (Arcoweb).

fonte: arcoweb

Internamente, as paredes e forros são de gesso, o que possibilita a passagem de instalações. O espaço entre o gesso e o concreto forma um colchão de ar, preenchido por lã de rocha, isolante termoacústico. A umidade e a temperatura interna do edifício são monitoradas. As entradas e saídas de ar-condicionado são discretamente posicionadas em vãos baixos e compridos, no rodapé e no forro. Tal como desejava o conselho da fundação, todos os aspectos museográficos foram atendidos de forma eficiente. (Arcoweb).

O tanque de retenção de água que circunda o subsolo do museu tem condições de, se necessário, absorver índices pluviométricos iguais aos da enchente de 1941, a maior já registrada no Rio Grande do Sul. Isso para proteger o valioso acervo, que será todo instalado no pavimento subterrâneo. (Arcoweb)

. O edifício possui ainda sistema de aproveitamento de águas pluviais – utilizadas nos banheiros, o que gera economia de até 40% – e uma estação de esgoto que trata resíduos sólidos e líquidos. A mata que faz às vezes de pano de fundo do museu – criando o contraste desejado por Siza – recebeu projeto de José Lutzenberger. Dentro da massa arbórea, há 200 metros de trilhas, que podem ser percorridas pelos visitantes. (Arcoweb).

A boa arquitetura contemporânea, não deve ser apenas bonita para quem a contempla, mas também e principalmente, deve ser funcional e agradável para seus usuários. E isso pode ser percebido nesta obra de Álvaro Siza, onde diversas soluções inusitadas foram adotadas, fazendo com que a obra se torne perfeita para a função a qual lhe é creditada.

Arquiteto: Márcio Kogan

Obra: Casa Du Plessis

Projetar uma casa tradicional, com telhas de barro na cobertura, era algo que não estava nos planos do arquiteto Marcio Kogan, inclinado a idéias mais ousadas. Mas, quando foi convidado para idealizar uma casa de veraneio em Paraty, RJ, soube que uma das regras do condomínio determinava que todas as casas deveriam ser feitas com esse tipo de telhado. Preocupado em imprimir modernidade e cumprir o regulamento, teve a idéia de criar uma moldura de pedra mineira para cercar os 407 m² de área construída. O recurso, como um efeito especial, deu identidade à residência.

A proposta da casa foge do convencional, principalmente se for considerado o local de implantação. “Ela está no meio de um condomínio com casas tradicionais: com telhado de barro e janelas na fachada. De repente, no meio desse contexto, surge um disco voador”, brinca Kogan referindo-se ao projeto. A residência Du Plessis é composta pela caixa de pedra mineira, totalmente pura e contemporânea, apenas com uma abertura na parte da frente, que emoldura parte da paisagem. Contida na caixa, está uma casa térrea tradicional, com telhado em uma água. Esse resultado ambíguo é algo inusitado em arquitetura e, segundo Kogan, a casa gera bastante polêmica, uns adoram e outros odeiam o que vêem. “Nem imaginava que essa discussão aconteceria”, ressalta.

A implantação da casa acompanha o terreno longitudinal e a parte da frente da residência ficou preservada pel convincente a fachada de pedra. O acesso se dá pela abertura lateral, de onde se vê um pátio com quatro jabuticabeiras, plantadas a pedido do arquiteto. Deste espaço é possível acessar as quatro suítes e a sala de TV, além da sala de jantar, voltada para o terraço e a piscina, nos fundos do terreno. Entre a sala e o terraço existe uma abertura que permite a interligação desses ambientes com a área de piscina e com o jardim – na verdade, uma pequena porção da Mata Atlântica. O arquiteto preferiu criar um muxarabi de madeira para o fechamento das suítes em lugar de recorrer a portas ou persianas convencionais. “Busquei referências na arquitetura local, remetendo ao artesanato em madeira”, conta Kogan. Fechada, a treliça cria um suave filtro de luz natural, do chão ao teto. Outra opção é abri-la totalmente. As demais referências brasileiras encontradas pelo terreno são a pedra mineira da fachada e a jabuticabeira – árvore favorita do arquiteto. Além da madeira de cor quente, os outros elementos criaram um aspecto monocromático proposital. O cinza da pedra mineira, o piso do pátio e mesmo a casca das árvores ajudam a compor esse efeito. Por isso a abertura na fachada – visível a partir do interior da casa – se destaca como uma moldura que enquadra o campo de golfe.

O piso do pátio é composto por uma mistura de seixo, areia e cimento. Até atingir o resultado esperado, o arquiteto fez testes com outros materiais e proporções, pois queria “algo que lembrasse a areia do mar, não muito distante dali”. Do outro lado do terreno, o terraço recebeu cobertura de bambu protegido por teto retrátil de acrílico transparente, o que garante a proteção em dias de chuva. Kogan também criou os projetos de interiores e iluminação. O arquiteto explica que a luz incide de forma indireta e suave, irradiada por arandelas cuidadosamente distribuídas pela casa. Por ser uma residência de veraneio, não há necessidade de focos dirigidos ou grande incidência de luz artificial. Apenas um jogo de luminárias marroquinas se destaca no centro na sala de jantar. Parte do piso do terraço se prolonga acima da piscina. Esse recurso causa efeito de flutuação da casa sobre a água para quem a vê a partir do deck ou do jardim. “Esse tipo de cuidado existe em todos os trabalhos do escritório. A casa é simples no acabamento, porém, na medida exata”, garante o arquiteto.


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